O ambiente e o nosso humor, neuroarquitetura

Você já deve ter percebido que ambientes são capazes de afetar nosso humor e, consequentemente, nosso comportamento. Surge então o conceito de neuroarquitetura, ou seja, o estudo de como nós percebemos o espaço. Tal compreensão se faz indispensável para entendermos como potencializar aspectos positivos e assim, melhorar nossa qualidade de vida, tornar o comércio mais atrativo ou mesmo potencializar nossa produtividade e aprendizado, por exemplo. São inúmeros os benefícios e o objetivo maior é aperfeiçoarmos as relações humanas e o modo de vida.

Sarah Williams Goldhagens afirma que 90% das cognições são inconscientes, por essa razão os espaços transformam nossas ações sem nem nos darmos conta. Estabelecimentos comerciais utilizam de forma perceptível, ou pelo menos deveriam utilizar-se de técnicas para atração de vendas. Dessa forma, como profissional, o arquiteto deve pensar não apenas em fluxos e dimensões, mas sim em todo o processo de vendas, na percepção espacial do público alvo e, inclusive, no diálogo com a identidade visual da marca. Por essa razão se torna necessário um bom levantamento de informações, o que denominamos briefing, para então darmos sequência a um projeto único e personalizado.

Na extensão urbana, essas influências tomam proporções bem maiores no corpo e na mente. Edifícios dinâmicos são capazes de atrair a permanência e espaços naturais podem interferir diretamente na saúde do homem.

Nossa casa tem se tornado nosso refúgio nesses últimos meses e você deve ter notado como são importantes as sensações de acolhimento, segurança e conforto.

A casa deve ser um ambiente que externalize sua personalidade acima de tudo, conte quem você é. Estimular os sentidos bem como escolher as cores certas (tons neutros e terrosos), explorar as iluminações naturais e artificiais (quentes), atentar-se para o conforto acústico e elementos naturais e manter a organização em dia são aspectos que estimulam a tranquilidade.

“A casa, a nossa casa, o sítio onde vivemos, é um local emergente. É como se estivesse a ocorrer um retorno dialético à fase pré-industrial.”

Alvin Toffler (1928-2016)

Desse modo, podemos concluir que a neuroarquitetura mostra-se uma cultura em ascensão, cujo principal foco gira em torno da essência do homem. A presença do profissional proporciona um trabalho personalíssimo, onde a relação cliente e arquiteto compreende, ao mesmo tempo, a individualidade e as relações humanas. Assim percebemos a indispensabilidade de um projeto bem executado.

The academy of neuroscience for Architecture, ANFA, AS, Califórnia sugeriu algumas leituras para quem quer se aprofundar no assunto.

http://www.anfarch.org/research/hay-research-grant-program-eberhard-fellowship/

Abaixo seguem outros dois links para quem quiser saber um pouco mais:

https://www.archdaily.com/876465/how-architecture-affects-your-brain-the-link-between-neuroscience-and-the-built-environment

https://www.bbc.com/future/article/20170605-the-psychology-behind-your-citys-design

Texto escrito por Giovanna Grazziotin.